terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Mergulhando

A equipe continua mergulhando...

Uns vão, outros ficam, uns voltam, outros chegam. O roteiro muda, desmuda, desnuda-se, veste-se. E é assim que O Mergulho vai tomando corpo, se ajustando, se encontrando. É, estamos na reta final, na ilha! E quem veio na missão de editar as imagens desse Mergulho, foi o carioca Rodrigo Felha, que enfrentou, junto com o produtor Sérgio Carvalho, 4 dias de estrada para chegar até a capital do Acre. É, não tinha vôo disponível, e a edição não podia esperar... Sem pensar três vezes, Rodrigo botou o pé na estrada e cá está a mais de 20 dias!

E durante o processo de edição, o diretor do documentário, Silvio Margarido, sentiu necessidade de imagens para compor uma das sequências do documentário, e neste domingão (15), enquanto de um lado do rio uns davam seus primeiros gritos de carnaval, do outro lado Abrahim Farhat, o Lhé, chegava na sua bicicleta palestina para gravarmos algumas imagens dele.

Lhé e sua bicicleta palestina

Esses pés que tanto caminharam nas margens do rio...


Da esq. p/ direita: Assis Freire (diretor de fotografia), Silvio Margarido (diretor), Lhé (a figura), Sérgio Carvalho (diretor de produção) e Rodrigo Felha (editor)



E aproveitando, fica o convite para todos participarem da sessão do Circuito Documentário nesta quarta-feira (18), as 19h no Teatro Hélio Melo, que vai exibir o filme Falcão, Meninos do Tráfico, no qual o nosso editor Rodrigo Felha trabalhou na fotografia e produção. Após a exibição do filme, vai rolar uma bate papo que promete ser bem bacana com o Rodrigo Felha.




Fotos por Talita Oliveira
Para ver mais fotos da produção do filme, clique aqui

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Portifólio °°° O Mergulho

 

Uma colaboração Visual do Artísta Braga

Apresentação

 

Apresentação1

 

Apresentação6

 

Apresentação7

 

 

Apresentação8 

 

Apresentação12

 

 

Apresentação113

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gravações pendentes

Sexta-feira(16) e sábado(17), terminamos de gravar o que estava pendente.
Na sexta-feira, saímos no batelão do senhor Edilson para gravarmos imagens de apoio do rio cheio, e percebemos como a paisagem muda conforme o nível do rio. Todas as casas, portos, escadarias, margens e plantações estavam bem diferentes, além do trânsito do rio que muda também. Se antes víamos mais gente nadando, crianças brincando na água, jogando futebol nas margens, agora não vimos mais. Porém, agora observamos mais barcos navegando pelas águas do nosso rio, principalmente aqueles maiores, que levam mais carga. Já que estavamos descendo, resolvemos entrar um pouco em um alfluente do Rio Acre, que é o Igarapé São Francisco, tão conhecido por ser um igarapé quase morto devido a tanta poluição. E não é pra menos. Ficamos estarrecidos com tanta poluição! Garrafas de plástico, fogão, bola de futebol, pneu e tudo mais que foge da nossa vista. Outra coisa que chamou nossa atenção, é que as obras da construção da 4º ponte avançaram muito em um curto espaço de tempo.


Um mergulho

Equipe e os barqueiros Francisco e Edilson

Trânsito fluvial e urbano

Anoiteceu na margem, acordou no rio

Constrate: simples casas versus grandes prédios

4º ponte
Igarapé São Francisco - ainda resta esperança

Igarapé São Francisco


Já no sábado de manhã, novamente com o apoio do Núcleo de Produção Digital da Usina de Artes João Donato, gravamos uma entrevista com o Abrahim Farhat, o Lhé, na casa dele. Por toda a sua casa, havia bandeiras, adesivos e poesias em solidariedade a causa palestina. Começamos a entrevista, e Lhé abre as portas de suas memórias e nos conta histórias de quando era menino e brincava no rio, competindo com seus colegas pra ver quem atravessava o rio mais rápido. Além disso, contou várias lendas dos seres que vivem nessas águas barrentas e no imaginário do povo acreano.



Lhé e suas memórias








quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

As crianças e o rio


"O que é aquilo? Que legal. É o rio, sensacional! Vamos remando Leonardo, porque é preciso chegar, teu reino fere a noite vai construindo a manhã, na proa do teu barco chegaremos pelo rio. Não polua o rio, cuide dele, porque eu e você dependemos dele. De onde vem á agua das nossas torneiras?"
Larissa da Silva, 09 anos

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O MERGULHO, de fato

"... o Alisson disse: “E agora? O cara pulou” eu digo: “Vamo pular”,
ele disse:“Como é que nós vamos pular?” eu disse: “Assim” aí já pulei, pulei em pé.
Aí quando eu pulei, quando deu perto de chegar na água eu virei o rosto assim
e vi o Alisson já chegando próximo também já da água. Aí quando nós caimo na água..."
(Fábio Andrade, um dos jovens que pularam da ponte)



Na manhã da última terça-feira(13), debaixo de uma fina chuva, gravamos a reconstituição do recorte da história de 3 jovens que tiveram uma relação inusitada, casual e, infelizmente, trágica com o Rio Acre. Com a ajuda essencial do Corpo de Bombeiros do Acre, que disponibilizou socorristas, barcos, jet ski, coletes salva-vidas e orientações de como o salto deveria ser executado, obtivemos sucesso total na gravação. O diretor deste documentário, Silvio Margarido, junto com Marcos Antônio e Paulo Roberto, pularam de uma altura de mais de 20 metros e, em aproximadamente 3 segundos, tinham, de fato, mergulhado no Rio Acre. Confira as fotos:


Os corajosos mergulhadores e a equipe do Corpo de Bombeiros após a gravação

Equipe do Corpo de Bombeiros e o diretor comemorando




Equipe e o Corpo de Bombeiros depois da gravação


Logo após o salto


O Mergulho, de fato



Preparação




O Mergulho, de fato


Câmera 1 com o Corpo de Bombeiros





Câmera 2 com na margem do rio


Para esta gravação, tivemos o apoio do Corpo de Bombeiros do Estado do Acre, que garantiu a segurança durante a gravação, e da Usina de Artes João Donato, que nos cedeu uma câmera Sony Z1 HDV, um microfone boom e o Ítalo Rocha, o fotógrafo. Agradecemos imensamente o apoio do Corpo de Bombeiros na pessoa do Major Flores bem como os demais soldados envolvidos na operação. Agradecemos muito também a Usina de Artes João Donato, na pessoa do Maurice Capovilla, Wander Silva e Ítalo Rocha.
Fotos e texto por Talita Oliveira, assistente de direção e produção.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pulando da Ponte

Documentário acreano reconstitui salto de tres jovens que pularam da ponte nova


O MERGULHO, projeto de documentário vencedor da edição 2008 do DOCTV, é dirigido pelo cineasta acreano Silvio Margarido e trata da diversidade de relações que as comunidades de Rio Branco tem com o Rio Acre. Na manhã da próxima terça-feira (13), será gravada a reconstituição de uma relação casual, inusitada e trágica com o rio: o dia em que três jovens decidiram pular da ponte Coronel Sebastião Dantas.


Os Mergulhadores - Elissandro e Alisson. Foto: Val Fernandes


Em setembro do ano passado, a fim de se divertirem, três jovens pularam da ponte Coronel Sebastião Dantas, a ponte nova, e dois deles ficaram gravemente feridos. Tal fato repercutiu na cidade, e grande parte da população ficou se questionando porque os jovens pularam da ponte, visto que é sabido por todos que setembro é época em que o rio está em seu período mais raso, o que representaria perigo para qualquer um que quisesse mergulhar no rio. A história desses jovens atraiu a atenção do diretor deste documentário, que resolveu incluir esse fato no filme através de entrevistas com os três jovens envolvidos, bem como reconstituindo o salto dos jovens.


A reconstituição desse fato será feita com o auxilio do Corpo de Bombeiros do Estado do Acre, que irá disponibilizar o suporte suficiente para garantir a segurança dos atores e demais envolvidos no processo de gravação dessa reconstituição.


Um dos atores que irá pular da ponte será o próprio diretor deste documentário, Silvio Margarido. ”Eu já tinha pensado em pular desde quando escrevi a cena da reconstituição no roteiro do documentário. Acredito que tenho que passar pela experiência desse mergulho”, confessa. Todos os atores envolvidos assinarão um termo de responsabilidade, deixando claro que estão cientes dos riscos que implica a gravação da cena, apesar da estrutura de segurança oferecida pelo Corpo de Bombeiros do Acre.


O documentário O MERGULHO, tem previsão de lançamento oficial para o mês de abril e exibição nacional ainda este ano, através da TV Cultura.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Enquanto isso...

Enquanto trabalhamos na preparação da edição de " O Mergulho", o nosso rio dá sinais de que muita água ainda pode rolar. Nos últimos dias o rio Acre chegou próximo da sua cota de alerta, o que deixa a população ribeirinha temerosa. Veja a sequência de fotografias feitas no último domingo dia 4 de Janeiro.

É muita água...

... e sempre um mergulho...


...e outro...


...até chegar quase lá.
Fotografias de Silvio Margarido







segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Feliz Natal

 

Desejo a todos os leitores deste blog um Feliz Natal

e um maravilhoso ano de 2009.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um mergulho

DSC_0824

Nada me cansa no rio ou no mar

Não tenho para onde voltar

Mas meu olhar está perdido na busca de tua imagem

No rio

Aprender com palavras sinceras as histórias daqui

Passear na superfície do espelho refletindo o fundo

Do céu

esperar o mergulho

Respirar com os botos a cada subida

Purificando a alma da poluição

Correndo em veias

E em veios

Como doem os ossos

Vem de dentro

da floresta

Com os peixes pra cima

É tempo de reprodução

cortas ao meio o meu coração e o da cidade

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E quando invades casas

Procurando largo abrigo

Sofro com tua pequena poesia

A inocência dos premeditados

Não tens calado

Escuto o silencio de tua ausência

Correndo

Caindo

Gota a gota rumo a foz

E a menina que espera

Cresce e a inocência

Vira intolerância

Pois é triste não ter mais com quem brincar no rio

todas as lembranças serão reencontro

Toda curva o mesmo lugar

Cada margem

Um outro lado

as lágrimas

Escorrem pelo esgoto do mercado

E no fundo sinto a lama que me prende

DSC_0838

E já não posso andar

Nadar

Voar

Quero dormir

Acordar do encanto

há tempo de partir

outro porto

a vida como o rio é bela

navegar...

Até a vista...

As sereias voltaram a cantar...

DSC_0493

26 de novembro de 2008.

Silvio Margarido

Fotografias de Talita Oliveira

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Anotações...

Vou escrever, a partir de hoje, algumas considerações e constatações sobre o processo de realização do documentário O Mergulho. Serão textos breves que procurarei mostrar as minhas impressões pessoais sobre todas as fases de construção do Documentário.

O Mergulho – da pré à foz.

A idéia original

Antes era o verbo. E o verbo disse... Faça-se a luz. Ação!

Amanhece o dia e eu pego minha mini-dv e vou até o rio Acre para uma primeira observação. Era o final do verão e algumas pequenas chuvas haviam desabado naqueles dias. Ainda no ônibus pensava no estado de degradação em que se encontrava o rio. Seco, vazio de água, mas repleto de lixo temperado pelo esgoto. Veio logo a vontade de pegar pesado na denuncia, campanhas de salvamento e outros arroubos ambientalista. Como podemos deixar o rio morrer? Ou pior ainda, estamos matando o rio.

Quando cheguei na margem do rio me senti estranho, estava furioso e de repente com a proximidade, a água correndo, barcos passando, pessoas nas pontes contemplando, aos poucos uma sensação de paz e prazer tomou conta e ali naquele momento tive contato com um rio que há muito eu não visitava. A memória foi a passagem que usei para viajar por praias, igarapés, com pescadores, catraieiros, meninos pulando da ponte. Percebi o quanto eu havia me distanciado do rio. Percebi que o rio estava morrendo era dentro de mim. Eu não reconhecia mais aquele rio, foi como um reencontro.

Este foi um momento de lúcida manifestação espiritual do rio na minha vida e principalmente no momento em que estava preparando a gravação de um documentário cujo personagem principal é o rio Acre. Outras tantas coincidências aconteceram, revelando aos poucos um rio bem diferente do que eu conhecia e do que eu imaginava conhecer. E tive um momento de grande esperança no processo ao me deparar cada vez mais com um rio vivo, muito vivo, embora maltratado. Mas as forças da natureza se encarregam de dar sempre um novo caminho, uma nova volta, um lago. O rio parece ser o maior veiculo de renovação da vida há muito tempo. Acho que o amor, o carinho, o encanto pelo rio não pode ser tratado somente com um discurso panfletário de que temos que salvar o rio que ta morrendo ou populista tipo... é assim mesmo, é ot progresso, etc... ou então aquele romantismo de que a cidade virou de costas pro rio. Um olhar um pouco mais atento e deixando aflorar as lembranças e desfrutando o prazer que a imagem do rio nos transmite seria um ótimo remédio para essa empatia.

O problema do rio Acre é o problema afetivo da população em relação a ele. Como me disse o Antônio Alves, este rio está se tornando um rio subterrâneo, muitos passam todos os dias sobre ele e não o vêem.

Silvio Margarido – 09/12/2008.